O concurso da Polícia Federal (PF) pode resultar na convocação de todos os candidatos excedentes, de acordo com Marcos Camargo, presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF). A declaração foi feita em uma live no canal da entidade, após reunião com a Diretoria de Gestão de Pessoas (DGP) da PF.
Isso corrobora informações sobre um processo em andamento, no qual o diretor-geral da PF enviou uma minuta de decreto para autorizar a nomeação de 1.456 excedentes do edital de 2025. Embora o decreto ainda não tenha sido publicado, Camargo expressou otimismo: “Há uma clara boa vontade da administração em chamar todo mundo. Quando isso é manifestado, metade do caminho está andado.”
Ele destacou que a PF já formalizou o pedido de convocação total, mas o processo depende de aprovações no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e na Presidência da República. “O sentimento é positivo, mas precisamos manter os pés no chão até sair no Diário Oficial”, ponderou. Camargo também mencionou estudos para criar centenas de novos cargos de perito criminal federal, considerando aposentadorias futuras, o que facilitaria a expansão do quadro.
Histórico de Aproveitamento de Excedentes na PF
Camargo contextualizou o histórico da PF em convocações de excedentes, focando na carreira de perito criminal. No concurso de 2018, apesar de desafios iniciais, todos os aprovados foram chamados: “Foi uma grande vitória da associação”. Já em 2012, nem todos foram convocados. Ele notou que a carreira de perito ficou fora do edital de 2021, agravando o déficit.
Capacidade da Academia Nacional de Polícia (ANP)
O presidente da APCF abordou a infraestrutura da ANP para receber os convocados. A limitação principal é na estrutura de ensino, não nos alojamentos: “A academia pode acomodar entre 650 e 700 alunos por turma, e a ideia é usar a capacidade máxima se preciso”.
Para chamar todos os excedentes, seriam necessárias pelo menos três turmas, com possibilidade de uma quarta em 2027. A composição das turmas ainda está em discussão, podendo priorizar agentes nas primeiras e deixar outros cargos para as subsequentes.
Minuta de Decreto para 1.456 Excedentes
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, encaminhou ao MJSP uma minuta de decreto autorizando 1.456 nomeações excedentes, distribuídas entre os cargos policiais:
- Agente: 863 vagas
- Escrivão: 307 vagas
- Delegado: 237 vagas
- Perito Criminal Federal: 32 vagas
- Papiloscopista: 17 vagas
As nomeações dependem de vagas disponíveis, adequação orçamentária conforme a LOA e LDO. Como o pedido excede o limite legal de 25% de excedentes, requer decreto presidencial.
Confirmação do Diretor-Geral da PF
Andrei Rodrigues reforçou a intenção de nomear 2 mil aprovados, com formação escalonada: mil no primeiro semestre e mil no segundo de 2026, alcançando 100% do efetivo previsto pela primeira vez. “Iniciaremos as turmas em janeiro, totalizando 2 mil novos policiais”, afirmou.
Ele considera o quadro atual insuficiente (cerca de 13 mil policiais e 2 mil administrativos, totalizando 15 mil) e defende dobrá-lo para 30 mil servidores.